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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Contraponto

O tempo depura murmurando
Estonteado, sobressai sua data
Rasgado pelo seu próprio ultraje
O tempo,rasurado,não reage

Sua retórica é o vento,é o canto
Tal o eco do relógio em silêncio
Que cultua,tumultua o meu coração
Estou cansado,mas não direi não

Esqueci de continuar,sonho
O que fazer se eu sou meu monstro
Das faculdades dos meus sonhos
Só inexiste a presciência de olvidar.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Chuva de chumbo

Bebo do chá amargo
Da cor cinza da cidade
Os viadutos racham
No tom dos meus dissabores

Com o correr das chuvas
Se esvaem os amores
Só ficam minhas dores
Carrapatos com cara de terror

Simpáticos ao horrores
São os vultos da cidade
Socorro,clamores!
Seguem os cursos da vaidade

Coitado,meu dote é casto
Eu estou cansado
Dessa cidade.
(Bruno Pefe)

sábado, 4 de dezembro de 2010

O sentido da vida

O silêncio se faz rechaçado
Pois nós dizemos tudo calados
Apenas com o olhar
Infinito de entreolhares

O ódio se diz enjoado
Pela overdose de amor
Pelo nosso amor
Nós dois,enamorados

Os templos se fazem insensatos
Já que o nosso templo,
Todo tempo cultuado
É o nosso amor
E o corpo do namorado

Salve o mundo,mundo desgovernado
Tudo louco,tudo desorganizado
Tenho em mim que as coisas são assim,tão emboladas
Por que o mundo,coitado,nunca teve uma namorada.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A paixão em si

Cara embevecida
Do meu eu distraído
Traço cada passo
Como se sua mão estivesse
Entrelaçada na minha.

Para mim essa dança
Parece não fazer sentido
Mas danço-a,e como danço
Seguindo teu perfume
Ignorando os riscos

Sigo a tua voz
E peço que se cale
lábios nos meus lábios
E nossas almas abraçadas
Entrelaçadas.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desfaz o tempo?

Cadê o meu nada?
Osso puro que me traga
Faca de sombras que me mata

Cadê o meu vulto
De sangue imaculado
Não quero ser procurado
Estou cansado

Só quero ficar parado
Fingir que no mundo sou raro
Mergulhar no ralo
Só para ver se entalo

Para que ser aprovado?
A vida é boa
Para quem tem quem lhe proteja
Quero estar livre de todas as sutilezas
Não quero mais estar
Quero durmir.
(Bruno Pefe)

domingo, 28 de novembro de 2010

Pelo sorriso dos teus olhos

No alto do morro
Ao cair da tarde
Um assunto tenaz
Escorre pela encosta

Que dor nas costas!
Como é bom ficar abraçado
Digo muito mais calado
Com um simples olhar
Falo mais que um turbilhão

Eu preciso me encontrar
Nos teus encantos
Nos cantos
Onde cantas o luar
Prometes nunca me deixar?

Pelos três atos,pelos coros
Por tudo que há
Eu prometo,eu juro
Eu preciso te amar.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Cansaço

Os mesmos tons pastéis
Da cor do vômito
da cor de sempre
Balança esse teu estandarte cansado
Que saco!
Tudo me parece seco
Tudo me parece deserto
Todos os grandes autores
Os autores medíocres
Todos erraram
Só eu que vejo certo
Além do enjôo
Não tem nada
Só o tédio
Tudo irrita
E sigo andando
Sem motivo
Sem rumo
Até que me parem.
(Bruno Pedro)

A minha medida

Só porque eu não te entendo
Não quer dizer que eu esqueço
O meu apreço por você
Já não tem mais endereço

Eu te quero como nunca
Sua boca na minha nuca
E até eu esquecer
Os meus planos por você

Eu não te esqueço,não dá mais
Não tem como,nunca mais
Você é parte de mim
E para todo o sempre vai ser assim.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Se lembra?

Se lembra quando
dormíamos juntas
e decifrávamos as nuvens
Se lembra quando
Não nos importávamos
Com nada,além das brincadeiras
Além das bonecas
Se lembra quando
Éramos princesas
Mesmo sem realmente saber o que era
Só pelo encanto
Se lembra quando
Não éramos tanto
Mas éramos
E tinhamos
Tudo o que precisávamos.
(Bruno Pefe)

A próxima estação

Mas tanto faz,tanto faz
O que ela fez
não se faz
Ela deve estar sorrindo
Ela deve estar dormindo
mas tanto faz
tanto faz
ela está onde deve estar
ela já ficou pra trás.
(Bruno Pefe)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Desamparo

Você magoa quem te ama
Infesta e desembesta,mucama
E trata de apagar a nossa chama

Me faz gritar sentido
Com o seu jeito agressivo
Me faz tecer perdido
Meus pedidos

Você me faz chorar escondido
Por tudo o que não foi dito
Eu vou procurar um abrigo
Meu coração não é de vidro.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema amigável

Farsa inconsequente
Luto distraído
Parte o meu pranto
Faça seu pedido

Por que você não
Anda mais comigo
Por que você não
me chama mais de amigo?

rosto incandescente
Lascas do destino
Óculos embaçado
Fique aqui comigo

Burca decorada
Pelo meu restilo
Turva recortada
calo-me consigo

Alma mal lavada
Riso escondido
Te cubro com a mente
Ouço nossos sinos

Por que você não
Anda mais comigo
Por que você não
Me chama mais de amigo?
(Bruno Pefe)

domingo, 7 de novembro de 2010

Eu sangro

Eu sangro
sem perceber eu sangro
minhas ancas pálidas
tingidas pelo mesmo sangue
que escorre
ao sei de onde
não sei do que

eu sangro
para que essas gatos
por que escorrem
gotas transparantes
gotas brancas
não como as gotas tintas do meu sentir

por que meu sangue foge de mim
por que?
por que escorre para longe?
por que não me arrasta consigo?
por que só leva o meu coração?

não sou nada
só passado.
(Bruno Pefe)

sábado, 6 de novembro de 2010

Moldura

Tudo é sopro
Tudo que fui
Tudo que não fui
Escorre pelas minhas mãos

Não sou nenhum libertador
Nem meus fantasmas
eu consigo expurgar
Não tenho nada de constante
Só tenho o sopro
Ardendo minhas chagas

Ardidas,como a busca pela perfeição
Que cai como sal em minhas feridas
Não sou bom,nem nada de especial
Pra que versos livres se minha alma é presa
Pra que sutileza?
Se no fundo eu sou rude como os imbecis?
Pra tentar um pouco mais?
Não sei.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Brilho das Estrelas

Seus belos cílios
Reles,parvos,marejados
Me castram transviados
Por que me pudoras Angélica?

Pudera a orvalho do deserto
sulfurar minhas intenções?
Alazão dos meus destinos
Epístola grifada dos nossos corações
Me socorra
Não me pudore
Se não te pudoras
Angélica.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Teorema do ser comum

Nasci para ser gauche
Mas tive os olhos vidrados na lua
E ela, feminina,crua
Empalha meus haveres
Equipara meus quereres
A essas aguas lamacentas
Que me tragam a mordidas
Em feridas fartas,ambíguas
Nasci para ser gauche
Mas devo continuar.
(Bruno Pefe)

Figuras

Sabe.Eu odeio te amar
Mas te amo
E não posso abreviar
Eu te quero
E não posso negar
E,se te tenho
Devia fulgurar
Mas finjo-me
Sinto-te
minto
E mergulho no teu olhar.
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Deixa pra depois

É preciso morar
Em algum lugar
É preciso festa
é preciso defenestrar

Cause-me transe
A fragilidade da familia
Perfeita
Imperfeita entre si

Mas atesta-te mágico
Pois sois frágil
Trágico como eu
Pálido como eu
Sois como eu
Errado como eu.

Isto lhe soa familiar?
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Por quereres fugazes

Perdido tentando me encontrar
Nesse mundo de todos
Mundo de ninguém
Que pede para descer no próximo ponto

Estou cansado de rimas bélicas,rimas éticas
Sempre fui dado a contrapontos
Mas o ponto de entrega me enerva
E desponto na névoa...

Sentiu saudades?
Não sinta,pois meu cavalo é o infinito
E nunca canso-me trotar em busca da vida
Buscando-me menino
Aprendendo o que é o amor.
(Bruno Pefe)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A última curva

Estamos quase lá
Atenda-me cá
Que já reina o entojo
Seja minha ó pequena
Que a nuvem negra se aproxima
Fuja de tudo,minha menina
Pois o vento nos aglutina
Vapores em transe,ó garotinha
Eu venho de onde tudo termina
Fique aqui,minha querida.
(Bruno Pefe)

Retórica do luar

Eu te esqueço
Só para dizer que não mereço
O teu apreço
Sou teu cabresto
Meu anjo

Anoiteço sujo
Espreitando os teus cílios
pra que filhos?
Se o nosso amor
O meu amor
é pela noite.
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Colagens

O vento urge pensares.Trânsito
macabros são os poetas e suas ânsias
Coitado é o profeta,preso em suas radiações
E para mim,o campo não existe
O Arcaísmo é uma mentira
As minhas crônicas são as da cidade.

Os ventos são estilhaços do ar livre
Fulgidos,fingidos entre os prédios
Remédios à todas as especulações,inaudíveis
A razão,uma estupidez inútil,que invade a cidade|
Essa cidade que me farta
Essa cidade que me enfarta.
(Bruno Pefe)

domingo, 10 de outubro de 2010

Trote

A cidade ainda é a mesma,amor?
Pacata,fechada na dor
Fulgores em transe são
Cães sentindo o calor
Pelos focinhos,pavor
Clamor,tossindo suor
Que dó!Os réus por si
Sem culpa,sem véus então
Pagão,remela dos teus
Amor,esse mundo é ateu

sábado, 9 de outubro de 2010

Tinteiro

Quero uma folha em branco
Pois as linhas retas do caderno me entortam
Me entornam aos poucos

Quero uma folha em branco
E uma borracha para apagar
Todas as manchas que eu escrevi
Sem querer

Quero uma folha em branco,
Quero uma vida em branco
Para poder retalhá-la,como Picasso
Para poder recortá-la,como bem faço
Ou mesmo para dizer o que sinto
Até mesmo para passá-la a limpo
(Bruno Pefe)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Escrevo

Escrevo
porque a vodca acabou
E a caneta ainda tem tinta
e as folhas me convocam à tatuá-las

Escrevo,por que a vida me falou
Ao pé do ouvido me avisou
Que a minha sina era ser eterno
Mesmo morto, eterno pelas letras
O maior dos paradoxos

A Poesia,garantia da eternidade da alma
ambígua como a vida,se realiza do brilho da minha mente
Para a ponta da minha caneta
daí ao pragmatismo do papel,e bifurca
Pela eternidade ou pela nulidade
mas mesmo assim vive.
(Bruno Pefe)

domingo, 3 de outubro de 2010

Poema de calçada

Um mendigo jogado na calçada
Um mendigo com as cara amassada
No chão da praça fria
Aquém das civilização
Audíveis apenas os pés corriqueiros,correndo
Trotando em busca dos seus estábulos digitais

Um mendigo na calçada
Cheira a estrume,cheia a lembrança
E o mundo,todo mundo esquece
Os pés se apressam no final da tarde
Mas eu juro que eu vi um par de olhos
naquele chão mijado,vi um homem engomado pela poeira
mas passei,fui em frente,como todos os pés
afinal,eu era só mais um não?
Passei,e me culpei
Não por que não pude ajudá-lo
Mas,porque no fundo,eu não queria ajudá-lo
por pior que seja ,eu não me importo.
(Bruno Pefe)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Travado na garganta

Agora eu vou,eu vou embora
Antes era cedo,agora é hora
Sem mais conversa,sem demora
Agora me vou,vou-me embora

Pasárgada não há,e não tem hora
A hora é agora, adeus vou embora
Aqui é tudo fútil,é tudo inútil
Não dá mais para ficar,tenho de sumir

Está tudo muito bruto
Eu tento suportar
Mas quem me dá suporte?
Meus ombros pelo mundo
pelos risos imundos
pela lama, pela lágrima
Não,não dá mais pra suportar

Meu anseio é de não ficar
Mas como ir á pasárgada
que nunca esteve lá?
Não dá,eu preciso me lembrar
por que não dá mais pra ficar?
(Bruno Pefe)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Rasura

As correntes dos meus rios
Tempo ao tempo,tempos frios
Das falências,do anil
Caudaloso o meu Brasil

Rio das farsas,rio viril
Rio as traças,rio febril
De pirraça,rio fabril
Conta a estória, ninguém ouviu

Rio de esgoto,rio de piche
Asfaltado,mal educado
Que até os peixes de desencontrados
Se fazem expostos,desamparados
E seguem a maré até o fim fadado
Até o fim fardado,malfadado

domingo, 26 de setembro de 2010

Amanhã eu escrevo

A minha meninice pode ajudar
Com essa criança franzina e fugidia
Que é o meu medo de te magoar
E no meu receio de não te encantar

A minha meninice pode ajudar
No meu anseio de te encontrar
Nem por um dia eu quero te largar

A minha meninice pode ajudar
Pois não é só pela rima que eu quero te ligar
E esse poema há de não terminar
Por que nem por um dia eu vou deixar de te amar.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

No meu íntimo

Eu sou um mentiroso
Por teu rosto,por seus beijos
Por seus sonhos,seu enredo
Eu sou um mentiroso
Pelo tempo e pelo vento
Pela reta e pela curva
Eu sou um mentiroso
Pelo grito do silêncio
Pelos cheiros inodoros
Pela mentira e pela fantasia
Eu sou um mentiroso
E mais importante
Sobretudo,Pela verdade
Eu sou um mentiroso.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Haver

Eu sei o que devo fazer
Que hei de te conhecer
De me conhecer
Nos teus cabelos

Hei de desfazer o seu caminho
Pestanejando por não encontrar
Seu coração em nenhum carinho
Até o brilho da sua alma me achar

Hei de reconhecer
Que estou no lugar
onde sempre quis estar
Entre seus cabelos e seu pescoço
Pescando no teu rosto
O seu olhar.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Arrojo

Socorro!
As guerras não mais sucumbem ao luar
Entôo!
O canto rude,o canto casto das crianças
Mesmo farto de esperanças
Eu,cortesão da confiança
Me embaso em angústias
Para me levantar desse enjôo
Que antes,julgava estar morto
Mas me levanto,não como outros
Só de passagem,só,pela viagem
Me levanto de verdade,e sigo em pé
a fim de ficar,a fim de qualquer enredo
a fim de estar,apenas estar
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A coisa mais simples da vida

Nada como as chuvas desse inverno mentiroso
Para levar consigo o que tem de ir
E que não fique nem um bocadinho
De tudo que tem de ir

Nem tentando,bem de mansinho
Nem se pedir"mais um pouquinho"
Já é tempo de ir,clarão nervoso dos meus sonhos
Vejo uma era de luzes calmas

Já é tempo de se ir
Nem que seja triste a despedida
Você é e sempre será parte da minha vida
Leve consigo um pedaço de mim
adeus.
(Bruno Pefe)

domingo, 19 de setembro de 2010

Vermelhidão

A cor do luto é o vermelho
Vermelho cor de sangue
Vermelho amargo,derramado
Na mesa ,da cor da carne podre

As reticências choram a saber
Que a decadência é o novo preto
A ser encontrada ainda alguma cura
Para o enfermo vento,ainda ao tempo

enfermo a conjurar
nesse esboço de país
o rubor de um vermelho mais azul
(Bruno pefe)

sábado, 18 de setembro de 2010

Quadrado

A maioria dos meus versos
À maresia dos meus versos
Desencapados,desamparados
Armados com as facas do destino

Pistilo, epílogo altivo das minhas ofensas
Ao doce fedor estranho dos cheios da cidade
Com as suas vidas tristes,com as suas almas mudas

Questão de uma brisa ardida no peito
De uma dor ardida a despeito
Da querida,despida,respeito

Solteira é só a vida e suas rotinas
Que secam as feridas com o advento do tempo\
E melam de esperanças o destino,em carinhos

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Choro

O choro já vai secar
E meu amor,não há
E que pressa é essa de se esconder
Antes de me falar sobre você.

O choro secou,amor
E do sal das suas lágrimas
Desenharam-se as favas
Rabiscou-se a paixão

O choro é a sua dor amor
E se for,no concreto do obelisco uma flor?
Rimas tolas,apenas isso,capitã de mim
Se o choro fosse cura eu já estava são
Se o choro fosse jura você estaria em vão

Se o choro fosse chuva haveria a redenção
Dentro dos nossos olhos
afim da perdição,da prevaricação das letras
do incansável dos labores
Dos nosso corações

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Motivo

Cultive bem seus amores
A saber que assim
A flor não se cansa de nascer
Porque se ela se cansar
Desanima de florescer
Desatina a corroer
A beleza de suas pétalas
Que foram mal cuidadas
Viram restos,restos do que um dia brilhou
Do que um dia foi uma flor
Do que ainda é uma flor
(Bruno pefe)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fragmento poético

Tem dias que o capitão desiste de sonhar
Tem dias que a mão não quer mais afagar
É quando o coração se cansa de gritar
É quando as mãos pedem pra se soltar
É quando a canção não toca o luar
Por que este,em devoção
Insiste no amor
Á contraposição,do destino,de nós dois.
(Bruno pefe)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Algo além do amor

O que ladra na minha porta?
O que salta a nossa volta?
O que exclama o convívio?
A procura dos meus ombros?
O susto da falta do teu cheiro
A sapiência de relacionar a falta do teu perfume à tua falta
A não ter ver aqui,se fosse só não te ver o problema
Por que mesmo quando você não estar aqui eu ainda te sinto
Eu ainda sorrio graças a você,que está sempre comigo
Mesmo que não presente fisicamente,as nossas alma estão juntas.

sábado, 11 de setembro de 2010

Poema de aniversário

Eu te desejo a mágica dos instantes
Entre o bater de asas das borboletas
A inconstância de uma moça
Que vê o mundo pela primeira vez
O sol que convida o amanhã a ser instigante
Te desejo que todos os dias bebam das manhãs
Que a vida seja um tango de alegrias
Que você saiba aproveitar a eternidade de cada instante
Que a sua alma seja sempre inocente
E mesmo que a vida vá contra a campanha
Que você viva sempre a façanha de se conceder à próxima dança.
(Bruno Pefe)

Unidade

Como são ardidas as realidades escondidas
Como são frias as patas dos irmãos mortos
Como é curiosa a antítese do viver morno
Quanto mais vivos mais frias suas mãos
Ao mesmo frio dos castigos,de ódios.

Todos os ódios á deriva do sangue quente
Esfriando o amor,circulando apavorado na alma
E as mentes vis encaram o ódio como combustível
venéreo,como as emoções vazias,todas com mãos frias
agarradas ao sangue dos irmãos mortos,castigadas pelos irmãos vivos.
(Bruno Pefe)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Correntes

Essa rima estática
Nesse degradê
A minha vista enfático
Que chamo de querer

Essa coceira prosaica
Tipo de braser
Nuvem idiocrática
Difícil de reconhecer

Chuva ideológica
Em suas valências
Crendo na sociedade
Em gotas de complacência

Maldita neblina imparcial
Que mesmo sendo assim
Aponta-se como ideal
Só porque é a única solução.
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Assertivas

Todos correm,a poeira
Todos tossem,brincadeira
Tudo é vento,a tarde inteira
Armários saltam de geladeiras?!

Sonhos se estabacam
No chão de madeira
Moços se acalmam
Numa garrafa,bebedeira

Lençóis cobrem,toda a madeira
Do cercado,da vida inteira
No túmulo assado,e por fim cremado
Das minhas certezas,de sobremesa.
(Bruno Pefe)

domingo, 5 de setembro de 2010

Poema mendicante

Quem me espera na próxima esquina?
O que irá me surpreender no próximo passo?
Quais serão os traços riscados
por essa revolução silenciosa
das oito as dezenove horas

Quantas são as solas que pisarão
no chão,em vão
e quantos são os corpos vivos
Quantas são as almas pedintes que moram no chão
por não ter vazão
por não ter por onde nem por quem
por serem unicamente,sabedoras
Que as solas dos dias as deixam além
além dos risos,além da corrida,além da vida.
(Bruno Pefe)

Trânsito

Eu não quero viver a vida
Como se já estivesse de saída
Eu não quero assistir as horas
Se derramando inúteis
Por motivos fúteis.

Eu quero viver sem guia
Pela poesia,que se irradia
Que se faz de ladrilhos
para eu andar,cambalear.

E vindo a chuva a cutucar,eu
Cheio de receios,temendo a codificar
Achando que não vou encontrar
uma via,vazia
Pra eu me acabar de caminhar.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A vida prática e outras teorias

De que me adianta acordar
Se o mundo se move aos roncos
De que me serve ser noturno
Se o dia sopra a noite que some

O que eu sentiria se o ar dissesse?
Se o sopro houvesse em nós
Se o ar ouvisse de relance
Ainda que o barco da vida balance
Os meus sussurros de romance
(Bruno Pefe)

sábado, 28 de agosto de 2010

Variável

Eu não devia
Mas vivia a dizer
Só mal dizeres
A vida por perfazer,leves prazeres
Só a rebeldia de entender
E o riso sem querer
é fantasia
E me aplicar em compreender
Represaria,estancaria
O resto da minha gana
Ambígua
Pelo próximo dia.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A última de hoje

Nunca fui oblíquo
Não lavei minha fé
Nas minhas mãos se mostram
o revés da paixão
que ao invés do coração
coage a multidão
embaça,curtindo-a
pra me falar
Que eu devo seguir
a canção a proferir
as noites a dizer
do improvável dos seus beijos
Da coerência dos bibêlos
Que aos serviços do amor
Incoerente como só
Me soam ao afagar dos seus cabelos
que por ti,e por cedê-los
por tê-los em mim
posso me permitir o pulso desvairado da jugular
que pulsa no intenso de te amar.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Gosto

Me disseram do caráter racional do sentimento
Mas se engana-se a razão por um momento
Aí a trama transborda o momento
Não há nada,nem nos números,de coerente
Que possa ser rasgando pela mente
Que quando,pálido,sorria valente
Ao lembrar das plataformas,dos ápices do seu rosto.
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vitalício

A minha rotina fede
Em fustigares,as minhas podres intenções.
Razões?São apenas vultos nos meus tímpanos
Vultos racionais,cabais,muitos,muitos mais
Fugaz,repetindo os escapismos de outrora
Agora,ilusionismo,só e apenas o paganismo dos meus versos
Quietudes culturais periódicas me mostram castas epifanias
Simples simpatias,estupefatas no momento de serem animadas
rasgadas, caladas,se demonstram no atrito dos meus dedos
sabê-los.
(Bruno Pefe)

sábado, 14 de agosto de 2010

Curso

Quatro letras garfadas
Impostas ao meu peito
A despeito da tristeza
As rimas vãs entendem que é preciso
A sutileza das marés pra se entender
O anteposto que encontro em você
O anjo arteiro que me diz que tu me segues
As incoerências que me levam aos teus lábios
As desavenças típicas dos sábados
pálidos.
(Bruno Pefe)

domingo, 8 de agosto de 2010

Esclarecimento

A perfeição mentiu e seguiu
Na objeção carente dos teus olhos,o sono
A perfeição ruiu,caiu
Eu um espelho d'agua retalhado pelas tuas lágrimas

Os odres sujos do seu pensamento
Gritavam,estavam fartos dos horrores da liberdade
Remavam em busca da paz
em busca das rédeas corretoras,em busca da flor

qual é a flor inexpugnável dos meus sonhos?
É essa a busca,é o motivo capital,
que faz quaisquer explicações burras
que fatigam o infatigável
Faz da coerência leiga
faz de suor um prato
cheio de lembranças rudes

Que molha com o ardor a plenitude
Que canta o silêncio em marcha
É chama que atiça a galope
me pesca e me põe em um envelope
Sem saber que o seu pólen
por ser pólen,por ser seu
Me traga ao avesso da vida
Á poesia desconhecida
Às repetições,ao mesmo fim
Simples assim,em ti.
(bruno pefe)

sábado, 7 de agosto de 2010

A desforra dos sonhos

A desforra do sonho
É aquela sensação engraçada
Aquelas cócegas na alma
Aquele conhecido cheiro de jasmim

Que só se faz sabido quando se ama
É encostar em tudo
A fim de estar ao lado dela
Tentar se resumir obviamente em vão

Quando qualquer sopro de imaginação
Não caberiam em mil páginas
Cada palavra pensada alça como um fogo de artifício

Que se explode como uma poesia concebida
A feiúra das paisagens é charmosa
A desforra dos sonhos é o todo
A desforra dos sonhos é o amor.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Luz e sombra

Cinco mil estrelas azuis
Infinitos entraves de luz
A ser queimar-se em ouro

Verter a serragem escura
Em alguma forma pura,talvez a cura
Infértil viva
Em fios de cabelos nus
Gritas,gritos de não saber
E açoita a noite com o olhar
E queima o fogo de tocar

Segura o choro a contestar
O que empolga,e te transforma
Em luar

domingo, 1 de agosto de 2010

Tantos anos

Os anos vem como marcas
Vastas cicatrizes rumo ao fato capital,
Aproximando-se cada vez mais da face do obscuro
As minhas energias diminuindo levemente,como uma maré

Mas ainda sou jovem
Ainda estou aposto com a vida
Mas já começo a sentir a decadência
Existe charme nos tempos grisalhos?

Os anos são como coceiras ardidas
que nos instigam a forjar a pele aos poucos
A vida é pesada cada vez mais
Mas eu ainda sou jovem

Dizem que a velhice é deslumbrante
Mas eu a vejo cansativa
Eu só me vejo na expectativa
Da próxima curva,do além do que eu enxergo
De me ver na final realidade de voltar ao pó
e só.
(Bruno pefe)

sábado, 31 de julho de 2010

ligações

Ao querer ser um só
Só me demonstro incapaz
De ser além do óbvio
de ser o grande mecenas

Ao querer valer a pena
Me perco no sentido dos planetas
Me perco no destino de Romeus e Julietas
Me acho no abrigo feito do meu próprio ego

Ao querer me achar no musical
Só,admiro o âmbito fatal
O caráter corrosivo da essência
Os gritos da alma em vão

Ainda não entendi o que é ser mais
talvez seja banal
conhecido racional
talvez seja o poesia,talvez seja ser poeta.
(bruno pefe)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sofrível

Um poeta mediano
Suas musicas caseiras
Alegrias derradeiras
Haveria o por vir?

Um poeta mediano
Sem palavras
Só rancor
Tecendo versos
Chorando os restos
Do que foi um dia

Um poeta mediano
Com intenções dilaceradas
Pelos ventos,sua jornada
E no coração,nada.

Você

As luzes já se explicam
E eu quero o teu abrigo
Eu quero ser amigo
Até que me canse de me iludir

Eu quero me cansar de estar assim
Eu quero te amar e estar em ti
Como dois pequenos colibris
Tentando atingir seu coração

Eu quero ser inteiro
por extenso,de exato
Eu quero tudo,eu quero o ato
De me fingir de salvador
De arrancar a sua dor
Eu quero só o seu amor

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os dias

Os dias vem violentos
E eu me enredo no advento
De ter você se esvaindo
Se esguichando pelos furos da minha alma

Os dias vem nebulosos
E a vida,o riso o tempo
Se perderam se encontrando
Ou tentando te encontrar

Os dias vem nebulosos
E o choro, sistemático
vai fugindo,buscando
gritando ideologias fúteis

Os dias vem amorosos
E os cheiros,mais suados
O timbres clareados
Os amores,mais amigos

Os dias vem anoitecidos
E os valores,altivos
E do açoite surge o carinho
E dos amores,o infinito

sábado, 24 de julho de 2010

Ápice

O estonteio do encontro
Apesar de alguns entraves
Parece já estar pronto
Parece não entender
Que o caminho está aberto
À eloqüência,aos impropérios
Se perderem nos teus olhos
E os gritos,são suaves,são afagos
A todos que te ouvem
A todos que desossam
Suas almas em impaciências
Suas reles decadências
E eu,do entojo à inocência
Me rendi à suave displicência
De saber que és parte de mim
(Bruno pefe)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Velharias

Sou,estou velho
Mas ainda consigo ladrar
Mesmo que os altos timbres já me faltem
Ainda tenho a poesia!

Essas letras,que ninguém vê
Como eu,ninguém as vê
Somos irmãos afinal
Somos irmãos ao final

Mais do que irmãos somos iguais
Cantando amores fantasiosos
Dos quais só nós sabemos
Senis como eu,sangrando como eu
Velhas como eu
(bruno pefe)

terça-feira, 20 de julho de 2010

As arestas

Sentado a beira do palco de um teatro abandonado, estava um homem,de aparência vil,rosto rude
assemelhado com o de um lavrador,expressões de sofrimento tencionavam suas sobrancelhas ralas.
Olhava o teatro estupefato,cada desenho na parede,cada forma nua representada nas paredes descascadas do teatro condenado,seus olhos brilhavam como os de uma criança encantada com a primeira paixão.
Estava ali o retrato de alguém,mas quem seria esse homem,seria um fracassado arrependido de alguma coisa ,seria um poeta em busca de inspiração,quem ele procurava,o que ele procurava, do que sua alma tinha medo,quais eram os seus receios?
Avesso á todos os pragmatismos ele continuava lá,desconhecido,a única informação que temos e precisamos é o brilho dos teus olhos,sem diálogos,apenas sorrindo diante desse maravilhoso e decadente teatro,imaterial tal como ele,inocente como todos nós,tateando o que é com com os olhos,principalmente pelo fato de apenas estar sonhando,de apenas voar errante em todos nós,por todos nós.
(bruno pefe)

Aos gritos

Vivemos de fofoca
Tudo é assunto
Malditos comentários
Risos torpes diários

Duas doses de falsidade
Mas que sejam engolidas devagar
Para se poder sentir o fogo podre
Que arde a adoçar a vida dos outros

Seria eu o açucar da sua existência
Dessa sua ridícula maneira de ser
desse seu pálido rosto imoral
Ou posso estar errado

Sou eu o idiota
de não renegar a essência
sucumbir a ciência vil desse veneno
Sucumbir a maldade padrão que me corrói\
(bruno pefe)

Além

Me repito
Vivo a me repetir
Sou a conseqüência do "mais uma vez"
Sozinho,sou denovo
Na esperança de nascerem dois,três,mil
Mas sou só um
Sou só eu
Até o vento não me quer
Sou mais um
Ilhado em si
Na esperança de ser
Na companhia de quem?
Tenho companhia?!
Acho que não
Sou um
Apenas um
Sozinho
(bruno pefe)

domingo, 18 de julho de 2010

Armadura

Servem-te amarga
De todos os pudores
Aos heróis da província


Esqueceram-se os magos
Do gosto da vitória
Renderam-se a escória
Serviram-se do comum

Já não são mais os mesmos
ou será que são?
Tenho em mim a idéia
De que sempre foram comuns

Só se vestiram de heróis
falsos como o sangue derramado
Tiveram a audácia de vestir a cor
tiveram a audácia de fingir de amor.
(bruno pefe)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Poesias,os dias e o vento

A chuva cai salgada de dor
E leva consigo meus pensamentos
Toda a inútil subordinação
Me sobra ainda requerer a minha alma

Resta o pragmatismo impossível
Que adubou minha consciência
E me instruiu a agir nesse padrão,turvo
A coerência é ser turvo por fim?

Vislumbro a utilidade do prático
A inabilidade das regras
O opcional da vida
Os dois famosos caminhos

E eu vejo pela janela a dor
Indo pelas águas da chuva
Tingindo de vermelho-ódio o mundo
Nesse tom arredio e asqueroso

Me sobraram essas linhas,tímidas
A serem escritas,inscritas sãs
A serem louvadas,pelo suor do coração
Para serem tingidas,da cor do encanto,da cor do amor.
(bruno pefe)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Invertida

Eu tenho todas as verdades
Todas as saudades
Embutidas nos teus olhos
E descrente do espanto
Eu somente me encanto
Não é pra tanto?!
Olhaste bem?
De todo o encanto
Sonhaste,Deus
A flor em pranto
E eu,Ateu
Julgo insano
O intenso explanar
O final intento
Meus pensamentos
Das juras livres
Dos sonhos meus
Dos olhos teus
(bruno pefe)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Rascunho

         2:30 da manha,as aves já bebem da noite quando eu começo esse relatório de fingimentos a perceber a eternidade do amanhã,fingindo sentir algo de relevante além do sono e esse desejo de fustigar minha alma .
          Cerco,calo ,faço,tudo em 1a pessoa,sou mais astuto que o meu caçador?será que hoje é dia da raposa?
perseguido como alguém que tivesse algo sólido a desejar,como se eu não fugisse de mim mesmo,como se eu tivesse algum sentido maior.
         Mais não,nem sentido,nem glórias,nem ardores,mais um certo horror com os passos marcados na minha mente,que faz-me descobrir o quão inútil,o quão infértil eu sou por fim
(bruno pefe)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Supernova

Enxerguei o vento
Mas sopraram aos meus instintos que eram as horas
se rebelando ante o tempo
Tomei um susto no meu confinamento perene
elas vinham em minha direção
Outros,que também assistiram
juraram que eram as horas em chamas
brilhando se derramando
se esvaindo harmônicas
Mais eu sei o que ocorreu
E como o texto me permite a oposição
Creio que aquilo foi um coração
Prestes a saber o que é amar
(bruno pefe)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Das ânsias faceiras

E quem pudera
Esperar o teu despeito
explanar seu intento
De julgar o que te rege

Mas quem espera
Até o que não conhece
Acaba se rasgando em preces
A alma fica mais vazia

Se tentasses
Um futuro,um desenlace
Um amor uma alegria
Talvez um dia
Por fim acabar-se
Essa monotonia
E alguém se salvasse
Nessa rua vazia.
(bruno pefe)