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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Vento seco

Meus passos têm um som irritante
O bater dos sapatos,quase marchando
Pena que as pessoas não se amem tanto
Quem me dera se nascessem sabendo se gostar

A Aliteração dos cifrões arranha os ouvidos
Ando pela rua,calçadas já me perco no que penso
Se eu soubesse cantar,gritaria um universo
Em um tom suave,a ser ouvido só pelos anjos
Ou algo que houvesse parecido

A neblina não é estranha no litoral
Forma nuvens à altura dos olhos
Me sinto frio como se sofresse de todos os remorsos
Como se,padecido,dores alheias me engordassem.


(Bruno Pefe)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Boas-vindas á primavera

A quatro primaveras
Minhas flores se murcharam
Eu junto com elas
Em sal me afoguei

Em uma piscadela
Tudo estava acabado
E para recomeçar
Não sabes quanto sangrei

Sangro ainda triste
Nos dias mais amargos
Sinto sua falta e fecho
os olhos resignado.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Polos

Cada um se diverte
Do jeito que lhe cabe
Ao passo contrário me converto
As minhas derrotas e as dos outros

Cada um chora o gozo das alegrias
O sereno da noite brilha como dia
Enquanto isso,ralo-me no chão
Engolindo o orvalho como se fosse solução

Cada um aos seus credos revigora
Gritam salmos,e nos olhos brilho,sorriso
E eu ,sem crer em tal qualquer
Quando o digo,dizem credo!Mas como é?

Cada um o paraíso insiste em buscar
E faz um tudo para enfim o alcançar
E eu incoerente passo os dias a clamar
Que a vida é só isso, mais do que isto não há.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Tenho dito

Sinto que o que falo
Se perde em seu destino
assim que minha boca abre
Encaixam-se repúdios

Falo,e quando falo
Cala-me o destino
Fazendo o que falo
Algo do seu próprio gozo

Não falo,mas sofro
As rasuras dos desvios
De quem não ouve o que falo
E retalha os meus ditos

E me resta o velho fardo
De responder pelo o que digo
Explicar o que não senti,
Colher o que não plantei.
(Bruno Pefe)