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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Travado na garganta

Agora eu vou,eu vou embora
Antes era cedo,agora é hora
Sem mais conversa,sem demora
Agora me vou,vou-me embora

Pasárgada não há,e não tem hora
A hora é agora, adeus vou embora
Aqui é tudo fútil,é tudo inútil
Não dá mais para ficar,tenho de sumir

Está tudo muito bruto
Eu tento suportar
Mas quem me dá suporte?
Meus ombros pelo mundo
pelos risos imundos
pela lama, pela lágrima
Não,não dá mais pra suportar

Meu anseio é de não ficar
Mas como ir á pasárgada
que nunca esteve lá?
Não dá,eu preciso me lembrar
por que não dá mais pra ficar?
(Bruno Pefe)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Rasura

As correntes dos meus rios
Tempo ao tempo,tempos frios
Das falências,do anil
Caudaloso o meu Brasil

Rio das farsas,rio viril
Rio as traças,rio febril
De pirraça,rio fabril
Conta a estória, ninguém ouviu

Rio de esgoto,rio de piche
Asfaltado,mal educado
Que até os peixes de desencontrados
Se fazem expostos,desamparados
E seguem a maré até o fim fadado
Até o fim fardado,malfadado

domingo, 26 de setembro de 2010

Amanhã eu escrevo

A minha meninice pode ajudar
Com essa criança franzina e fugidia
Que é o meu medo de te magoar
E no meu receio de não te encantar

A minha meninice pode ajudar
No meu anseio de te encontrar
Nem por um dia eu quero te largar

A minha meninice pode ajudar
Pois não é só pela rima que eu quero te ligar
E esse poema há de não terminar
Por que nem por um dia eu vou deixar de te amar.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

No meu íntimo

Eu sou um mentiroso
Por teu rosto,por seus beijos
Por seus sonhos,seu enredo
Eu sou um mentiroso
Pelo tempo e pelo vento
Pela reta e pela curva
Eu sou um mentiroso
Pelo grito do silêncio
Pelos cheiros inodoros
Pela mentira e pela fantasia
Eu sou um mentiroso
E mais importante
Sobretudo,Pela verdade
Eu sou um mentiroso.
(Bruno Pefe)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Haver

Eu sei o que devo fazer
Que hei de te conhecer
De me conhecer
Nos teus cabelos

Hei de desfazer o seu caminho
Pestanejando por não encontrar
Seu coração em nenhum carinho
Até o brilho da sua alma me achar

Hei de reconhecer
Que estou no lugar
onde sempre quis estar
Entre seus cabelos e seu pescoço
Pescando no teu rosto
O seu olhar.
(Bruno Pefe)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Arrojo

Socorro!
As guerras não mais sucumbem ao luar
Entôo!
O canto rude,o canto casto das crianças
Mesmo farto de esperanças
Eu,cortesão da confiança
Me embaso em angústias
Para me levantar desse enjôo
Que antes,julgava estar morto
Mas me levanto,não como outros
Só de passagem,só,pela viagem
Me levanto de verdade,e sigo em pé
a fim de ficar,a fim de qualquer enredo
a fim de estar,apenas estar
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A coisa mais simples da vida

Nada como as chuvas desse inverno mentiroso
Para levar consigo o que tem de ir
E que não fique nem um bocadinho
De tudo que tem de ir

Nem tentando,bem de mansinho
Nem se pedir"mais um pouquinho"
Já é tempo de ir,clarão nervoso dos meus sonhos
Vejo uma era de luzes calmas

Já é tempo de se ir
Nem que seja triste a despedida
Você é e sempre será parte da minha vida
Leve consigo um pedaço de mim
adeus.
(Bruno Pefe)

domingo, 19 de setembro de 2010

Vermelhidão

A cor do luto é o vermelho
Vermelho cor de sangue
Vermelho amargo,derramado
Na mesa ,da cor da carne podre

As reticências choram a saber
Que a decadência é o novo preto
A ser encontrada ainda alguma cura
Para o enfermo vento,ainda ao tempo

enfermo a conjurar
nesse esboço de país
o rubor de um vermelho mais azul
(Bruno pefe)

sábado, 18 de setembro de 2010

Quadrado

A maioria dos meus versos
À maresia dos meus versos
Desencapados,desamparados
Armados com as facas do destino

Pistilo, epílogo altivo das minhas ofensas
Ao doce fedor estranho dos cheios da cidade
Com as suas vidas tristes,com as suas almas mudas

Questão de uma brisa ardida no peito
De uma dor ardida a despeito
Da querida,despida,respeito

Solteira é só a vida e suas rotinas
Que secam as feridas com o advento do tempo\
E melam de esperanças o destino,em carinhos

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Choro

O choro já vai secar
E meu amor,não há
E que pressa é essa de se esconder
Antes de me falar sobre você.

O choro secou,amor
E do sal das suas lágrimas
Desenharam-se as favas
Rabiscou-se a paixão

O choro é a sua dor amor
E se for,no concreto do obelisco uma flor?
Rimas tolas,apenas isso,capitã de mim
Se o choro fosse cura eu já estava são
Se o choro fosse jura você estaria em vão

Se o choro fosse chuva haveria a redenção
Dentro dos nossos olhos
afim da perdição,da prevaricação das letras
do incansável dos labores
Dos nosso corações

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Motivo

Cultive bem seus amores
A saber que assim
A flor não se cansa de nascer
Porque se ela se cansar
Desanima de florescer
Desatina a corroer
A beleza de suas pétalas
Que foram mal cuidadas
Viram restos,restos do que um dia brilhou
Do que um dia foi uma flor
Do que ainda é uma flor
(Bruno pefe)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Fragmento poético

Tem dias que o capitão desiste de sonhar
Tem dias que a mão não quer mais afagar
É quando o coração se cansa de gritar
É quando as mãos pedem pra se soltar
É quando a canção não toca o luar
Por que este,em devoção
Insiste no amor
Á contraposição,do destino,de nós dois.
(Bruno pefe)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Algo além do amor

O que ladra na minha porta?
O que salta a nossa volta?
O que exclama o convívio?
A procura dos meus ombros?
O susto da falta do teu cheiro
A sapiência de relacionar a falta do teu perfume à tua falta
A não ter ver aqui,se fosse só não te ver o problema
Por que mesmo quando você não estar aqui eu ainda te sinto
Eu ainda sorrio graças a você,que está sempre comigo
Mesmo que não presente fisicamente,as nossas alma estão juntas.

sábado, 11 de setembro de 2010

Poema de aniversário

Eu te desejo a mágica dos instantes
Entre o bater de asas das borboletas
A inconstância de uma moça
Que vê o mundo pela primeira vez
O sol que convida o amanhã a ser instigante
Te desejo que todos os dias bebam das manhãs
Que a vida seja um tango de alegrias
Que você saiba aproveitar a eternidade de cada instante
Que a sua alma seja sempre inocente
E mesmo que a vida vá contra a campanha
Que você viva sempre a façanha de se conceder à próxima dança.
(Bruno Pefe)

Unidade

Como são ardidas as realidades escondidas
Como são frias as patas dos irmãos mortos
Como é curiosa a antítese do viver morno
Quanto mais vivos mais frias suas mãos
Ao mesmo frio dos castigos,de ódios.

Todos os ódios á deriva do sangue quente
Esfriando o amor,circulando apavorado na alma
E as mentes vis encaram o ódio como combustível
venéreo,como as emoções vazias,todas com mãos frias
agarradas ao sangue dos irmãos mortos,castigadas pelos irmãos vivos.
(Bruno Pefe)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Correntes

Essa rima estática
Nesse degradê
A minha vista enfático
Que chamo de querer

Essa coceira prosaica
Tipo de braser
Nuvem idiocrática
Difícil de reconhecer

Chuva ideológica
Em suas valências
Crendo na sociedade
Em gotas de complacência

Maldita neblina imparcial
Que mesmo sendo assim
Aponta-se como ideal
Só porque é a única solução.
(Bruno Pefe)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Assertivas

Todos correm,a poeira
Todos tossem,brincadeira
Tudo é vento,a tarde inteira
Armários saltam de geladeiras?!

Sonhos se estabacam
No chão de madeira
Moços se acalmam
Numa garrafa,bebedeira

Lençóis cobrem,toda a madeira
Do cercado,da vida inteira
No túmulo assado,e por fim cremado
Das minhas certezas,de sobremesa.
(Bruno Pefe)

domingo, 5 de setembro de 2010

Poema mendicante

Quem me espera na próxima esquina?
O que irá me surpreender no próximo passo?
Quais serão os traços riscados
por essa revolução silenciosa
das oito as dezenove horas

Quantas são as solas que pisarão
no chão,em vão
e quantos são os corpos vivos
Quantas são as almas pedintes que moram no chão
por não ter vazão
por não ter por onde nem por quem
por serem unicamente,sabedoras
Que as solas dos dias as deixam além
além dos risos,além da corrida,além da vida.
(Bruno Pefe)

Trânsito

Eu não quero viver a vida
Como se já estivesse de saída
Eu não quero assistir as horas
Se derramando inúteis
Por motivos fúteis.

Eu quero viver sem guia
Pela poesia,que se irradia
Que se faz de ladrilhos
para eu andar,cambalear.

E vindo a chuva a cutucar,eu
Cheio de receios,temendo a codificar
Achando que não vou encontrar
uma via,vazia
Pra eu me acabar de caminhar.
(Bruno Pefe)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A vida prática e outras teorias

De que me adianta acordar
Se o mundo se move aos roncos
De que me serve ser noturno
Se o dia sopra a noite que some

O que eu sentiria se o ar dissesse?
Se o sopro houvesse em nós
Se o ar ouvisse de relance
Ainda que o barco da vida balance
Os meus sussurros de romance
(Bruno Pefe)